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Pôr do sol no Arizona
O inesquecível pôr do sol

No meu post anterior fiz alguns comentários sobre Arizona e três de suas principais cidades: Phoenix, Scottsdale e Tempe. Após 15 dias vivenciando e conhecendo um pouco mais sobre essa região, tenho condições de ir um pouco mais a fundo. Para entender a relação entre essas cidade, basta olhar para São Paulo e sua região metropolitana. A idéia é a mesma, porém em menores proporções. Phoenix é a capital do estado e a maior cidade com cerca de 1.5 milhões de habitantes. Junto com as cidades que fazem parte da área metropolitana o total da população sobe para 4.3 milhões.

Essa é a segunda região que mais cresceu nos EUA desde de a década de 90 como taxas superiores a 45%, sendo que a média nacional foi de 15%. Nos últimos anos houve uma grande emigração de pessoas vindas da Califórnia em busca de custo de vida mais acessível. Phoenix é o centro econômico da região e nota-se isso ao chegar no centro da cidade. A paisagem muda radicalmente por causa dos seus modernos e altos arranha-céus. As outras cidades não possuem prédios e construções tão altas, o que é excelente. Tem horas que me sinto sufocado pelos milhares de prédios da cidade de São Paulo ao não conseguir ver o sol no céu. As cidades ganham um toque mais acolhedor, típico de cidades menores e uma paisagem limpa e bela. Ver o por do sol no Arizona é uma experiência incrível.

Tempe é a sede da Arizona State University, ou ASU para os íntimos, e grande parte da população da cidade é composta por estudantes. No verão norte-americano é normal que a cidade fique vazia por causa das altas temperaturas. Essas que chegam a 48º C. Do meio de junho ao meio de agosto, grande parte dos estudantes voltam para sua casas em outros estados e cidades ou viajam para outros lugares com temperaturas mais humanas, por exemplo Califórnia. Nada mal. Por ser uma cidade universitária, existem milhares de bares, clubs e restaurantes. Andar dentro do campus da universidade me fez pensar no atual sistema educacional brasileiro e ver o quanto está decadente com raras exceções (universidades federais e estaduais). Ao invés de formar profissionais qualificados, vendemos diplomas. Hoje estudamos em faculdades que o objetivo é puramente lucrativo e não o de ensinar, que deveria ser seu principal objetivo. Além disso muitas vezes somos obrigados a trabalhar enquanto estudamos e por causa disso não conseguimos ter o aproveitamento desejado. Talvez essa seja umas das diferentes entre um país desenvolvimento e outro subdesenvolvido, ops, em desenvolvimento.

Já Scottsdale, é um mundo a parte. As diferenças com as cidades brasileiras ficam ainda mais nítidas aqui. Por exemplo, BMW e Mercedes são carros absolutamente normais, porém ver Maseratis, Porsches (milhares) e Ferraris é algo muito comum (mais do que você imagina) e (quase) todo mundo tem. Grande parte das famílias moram em condomínios fechados, não por causa da segurança. Simplesmente porque é assim que as coisas funcionam aqui. A cidade possui muito mais luxo que as suas vizinhas, graças aos seus carros, mansões, restaurantes e lojas caríssimas. Mas muita vezes, não muito diferente do que pagamos para morar em São Paulo.

Tive o prazer de comer e um excelente restaurante chamado NoRTH. Ganhador de diversos prêmios como “melhor restaurante italiano”, “melhor ambiente”, “melhor carta de vinho”, entre outros, oferece uma cozinha italiana moderna. Existem diversas opções inclusive para vegetarianos. Ele está localizado em Kierland, um shopping center ao céu aberto, junto com outros restaurantes e lojas. É um lugar muito agradável para passear após um bom almoço, inclusive pela imensa Barnes & Noble que há no local. É impressionante a quantidade de revistas do mais variados assuntos que os americanos tem.

Outro lugar que merece destaque é o Whole Foods Market. Basicamente é um supermercado de produtos naturais e orgânicos de qualidade. A lista de produtos é imensa e você encontra tudo orgânico: queijos, vinhos, cervejas (!) e tudo mais que possa imaginar. Ter mãe a namorada vegetariana dá nisso, mas não posso reclamar. Hoje me considero uma pessoa muito mais saudável (e leve) desde que comecei a me preocupar um pouco mais com a minha a alimentação.

Além disso, o Whole Foods leva a sério os problemas do planeta e vende por cerca de $0.99 (dependendo do modelo) sacolas plásticas de garrafas PET recicláveis, evitando a propagação de mais saco plásticos a cada compra. E se você utilizar essas sacolas nas compras, ganha desconto por cada saco de plástico evitado. O contrário também é válido: para cada saco plástico que precise para as suas compras, será adicionar alguns centavos no final da sua conta. Vejo que isso é uma boa tendência a ser seguida (na Europa já é muito comum).

No geral as cidades são limpas e seguras. Não é difícil de andar pelos estacionamentos gratuitos (sim, dificilmente se paga para estacionar seu carro nos centros comercias e shopping centers) e encontrar carros com vidros aberto. Alguém faz alguma coisa? Provavelmente não. Por outro lado, Phoenix não é apenas a capital do Estado do Arizona como também é a capital do sequestro dos EUA. Isso está associado ao grande número de imigrantes ilegais vindos do México. Lembre-se, Arizona faz fronteira com o México. O que muitas vezes acontece é que os imigrantes precisam de dinheiro para pagar por terem conseguido entrar nos EUA, e sequestro relâmpago é a forma mais fácil e rápida de conseguir dinheiro.

Mas não são apenas coisas ruins que a fronteira do México trás para os EUA. Encontrar restaurantes mexicanos por aqui é tarefa fácil. Um que eu achei bastante interessante se chama Chipotle. Apesar de ser uma rede fast-food, tem produtos frescos e muito saborosos. E o melhor: é tão barato quanto o McDonalds. Mas a influência mexicana é maior do que apenas associações ao crime e a culinária. Muitas propagandas de TVs, rádios e revistas são em espanhol. Até mesmo ligar para o atendimento eletrônico de bancos ou de companhia de telefone celular, muitas vezes é em espanhol também. Não é por menos que previsões dizem que em 2050, os hispânicos serão cerca de 30% da população americana. Estamos falando de cerca de 127 milhões de pessoas. Imagine o que isso pode influenciar no futuro do país nos próximos nos.

No próximo post vou comentar minha viagem ao Grand Canyon, um dos cartões-postais mais famosos dos EUA, além de Sedona e Flagstaff. Até breve.

EUA: Primeiras Impressões

Phoenix e Tempe, Arizona
Olhando para Phoenix e Tempe do alto

Antes de viajar…

Se você não tem um passaporte da Comunidade Européia e não faz parte de uma pequena lista de países amigos, inevitavelmente você precisa de um Visto para viajar para os Estados Unidos. Já li e ouvi diversos relatos, negativos obviamente, de pessoas que tentaram inúmeras vezes sem sucesso. Eu mesmo tentei a alguns anos atrás e recebi um não como resposta. Todo o processo é relativamente fácil: preencher alguns formulários, reunir documentos que provem que você trabalha e tem condições financeiras para pagar a viagem, e por último, fazer uma entrevista no Consulado Americano. Muitas vezes isso não é o suficiente. Felizmente, no começo desse ano tentei novamente e dessa vez o resultado foi positivo.

Com o visto na mão, precisava apenas comprar as passagem. A alguns anos atrás meu banco me enviou um cartão de crédito com o programa de milhas da American Airlines. Coincidência ou não, eu tinha o número exato de milhas necessárias par viajar para a América do Norte. No dia 12 de Fevereiro de 2009, menos de uma semana após receber meu passaporte com o visto, embarquei para Phoenix, Arizona. Fiz uma rápida parada em Dallas, Texas para passar pela imigração e pegar a conexão para o meu destino final. Tudo foi tudo muito rápido e tranquilo.

Quando cheguei em Phoenix e comecei a passear pela cidade, eu parecia uma criança em uma loja de brinquedos. Foi engraçada esse sensação, pois gosto muito de analisar e prestar atenção em tudo que é novo. E naquele momento tudo era novo e diferente. A cidade fica no meio do deserto, literalmente, e é cercada por outras cidades menores como Scottsdale e Tempe. O estado do Arizona é conhecido pelo sol e altas temperaturas no ano inteiro e fica localizado entre Califórnia, Novo México, Utah, Colorado e logo acima do México. Mesmo estando no final do inverno a temperatura estava cerca de 30º C . Sinceramente não gostaria de imaginar como é o verão.

Primeiras Impressões

A primeira coisa que me chamou atenção foi o tamanho de tudo. Desde embalagens de comidas e bebidas, passando por carros, ruas, avenidas e casas tudo é absurdamente grande. E digo isso mesmo vindo de uma cidade grande como São Paulo. Acredito que o tamanho das casas, ruas e avenidas está relacionada a vasta área plana que abriga essas cidades. O lado ruim disso, é que você precisa de carro para tudo e tempo disponível para “viajar” de um lugar para o outro.

Outra nítida diferença é relacionada ao transito. Onde tem uma placa e Pare, os carros param. Quando estamos perto de uma escola e o limite de velocidade reduz para 25km por hora, os carros reduzem. Mesmo em grande cruzamentos onde virar a direita é permitido quando o sinal está vermelho, as coisas funcionam. Não posso generalizar e comparar com todas as outras cidades dos EUA (pois provavelmente nem todos os lugares são assim), mas fiquei com um pouco de inveja de tudo disso. Quem mora em São Paulo sabe o que estou falando.

Além disso, você pode começar a dirigir quando completa 16 anos (mas isso varia para cada Estado), porém somente aos 21 você pode beber. Ou seja, na teoria você tem cerca de 5 anos para aprender a dirigir antes de misturar com álcool. Lógico que isso é apenas na teoria, mas diversos locais fui solicitado a mostrar meu ID antes de beber uma cerveja. Quantas vezes isso aconteceu comigo no Brasil? No máximo duas… em toda a minha vida.

Em relação as pessoas, sinceramente fiquei positivamente surpreendido. Em todos os lugares que eu fui, e isso inclui restaurantes, bares e diferentes tipos de lojas, sempre fui muito bem recepcionado. “Bom dia!”, “Como você está?” e um sorriso no rosto era algo absolutamente normal. Comparando com a Argentina e até mesmo com o Brasil, que em geral somos bem receptivos e simpáticos, era algo diferente do que estava acostumado.

Além de tudo isso, confirmei algo que já sabia. São Paulo é uma cidade cara. Comparando preços de alguns produtos como comidas, bebidas, livros e eletrônicos, praticamente tudo é mais barato. Não vou comentar preço de carros porque a diferença é maior ainda. É ridículo como pagamos caro (impostos + impostos + impostos) por carros de qualidade muitas vezes inferior, sem ABS, Airbags e outros itens de segurança que são obrigatórios nos EUA. A realidade é essa: eu compraria mais coisas nos EUA com o salário que eu tinha em reais, do que no meu próprio país. Mas novamente, não gostaria de generalizar ainda mais porque a tributação, o custo de vida e os salários são diferentes entre o dois países.

Essas foram as primeiras coisas que me chamaram atenção. De uma forma geral foi tudo muito positivo. Em breve mais informações e fotos sobre os próximos destinos: Grand Canyon, Tucson, Flagstaff e Sedona no Arizona e Denver e Vail no Colorado.

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